0432-I
Ses. Esp. 22/03/07 Or. Fátima Nunes
Comemoração ao Dia Mundial da Água – Sustentabilidade e Vida.
Sr. Presidente, cara colega Bira Coroa, demais autoridades da Mesa. Para encurtar o tempo citarei somente o nosso companheiro de luta Júlio Rocha, mas todos estão representados, os parlamentes presentes, alguns já tiveram necessidade de sair. Quero me solidarizar com o companheiro Zilton Rocha e gostaria de dizer poucas palavras porque, claro, os que me antecederam falaram de coisas muito importantes a respeito da água, do meio ambiente, do desenvolvimento sustentável, da vida. E concordo com quase todos. Discordo apenas de alguns, que às vezes nem gostam muito que falemos do passado, mas como sou do sertão tão seco e de homens e mulheres, principalmente mulheres, muitas vezes, com o pé rachado da areia quente e com o casco da cabeça dolorida de carregar lata de água na cabeça, não posso deixar de , pelo menos , dizer duas palavras.
Tenho dito que, muitas vezes, começo meu pronunciamento aqui na Assembléia dizendo: “ Ô, tempo bom! Porque muitas coisas que as pessoas, que os deputados não queriam ouvir, às vezes, hoje alguns deles são os primeiros a falar. Muitos assuntos que, às vezes, queríamos trazer aqui e éramos impedidos na portaria pelos guardas, pelos soldados, hoje, dão início a muitas falas.
Digo que esse tempo ficou bom, porque muitos surdos começaram a ouvir. Então, a nossa voz, a voz daqueles que há 30 anos, cada um no seu tempo, a nossa luta que sempre fizemos no sertão, graças aos esforços de muitos homens e mulheres, que chegaram a eleger o presidente Lula. E mais recentemente, na eleição próxima passada, elegeu o governador Jaques Wagner. Então a nossa voz começa a ser ouvida e, certamente, a voz desta mulher simples do sertão aqui, é uma representação que se faz a vez e a voz daqueles que, em longos anos , não tiveram esta oportunidade e, conseqüentemente, trago comigo essas lembranças e esse esforço coletivo de muitas pessoas.
Queria aproveitar para falar de uma política pública que começou com a luta de algumas pessoas que se organizaram e, com coletas, campanhas, a ajuda de amigos, começaram a fazer uma cisterna, com a capacidade para 18 mil litros, para guardar água de chuva. Hoje, graças ao empenho e a compreensão do presidente Lula, essa política, esse jeito de cuidar da água passou a ser uma política pública, que é o Programa de 1 Milhão de Cisternas, que recentemente conseguiu, como eu digo sempre, tirar a lata d´água da cabeça das mulheres, de 187.380 famílias que já não precisam mais carregar água no pote.
Foram mobilizadas 198.251 famílias, porque esse programa não é do tipo que cai de cima para baixo, mas que envolve as famílias. As famílias, os pedreiros, até a juventude da comunidade começam a fazer parte, e, hoje, nós já temos nesse programa 4.498 pedreiros capacitados, que podem viajar por todo o Brasil, divulgando e trabalhando esse projeto.
Fiquei muito feliz nos primeiros dias da eleição do governador Jaques Wagner, porque mesmo antes da posse ele anunciou o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Semi-árido como prioridade, colocando como ponto básico a água para todos. Então, tenho certeza que essas coisas boas vão acontecer.
Queria sugerir ao nosso presidente, e certamente faremos isso de forma coletiva, o convite aos secretários do governo, ao superintendente do CRH para virem aqui num dia de sessão normal, porque hoje o tempo será um pouco corrido, porque várias autoridades vêm trazer sua mensagem, num importante sinal de responsabilidade e da grandiosidade do tema. Então, que numa sessão normal, já que esse direito nos assiste, pelo Regimento da Casa, sejam convocados para dissecarmos o assunto do Rio São Francisco, a caatinga, a preservação e tantas outras coisas, como a água subterrânea. Muitas vezes vemos pessoas ligarem a mangueira e deixar a água caindo por muito tempo sem saber o que é esse lençol freático que nós temos.
Enfim, tratar do conjunto do tema da água como fator de vida e desenvolvimento sustentável para toda a comunidade, para todos os baianos e para o mundo em geral.
Muito obrigada.
(Não foi revisto pela oradora.)